Parte Seconda... ""man" at work"
.......Senti-me, de certa forma, honrado pelo comentário feito sobre a leitura anterior. A ciência de minha completa e absurda falta de sentido nas slovos (palavras) me é visível, quiçá compreensível. Entretanto, reformas são constantemente realizadas e o que postei dias atrás já não é mais o mesmo à minha leitura; mas não virá aqui... Fica tu com a parte Seconda (grave...como uma base de piano)
101 – Parte Seconda
Com a quinta batida do relogiozinho frugal que sobre a estante minha ficava, busquei abrigo para meu livro do momento, pois lembrara duma pequena nota, criada por letra certamente não sóbria, em guardanapo de bar que fora posta sob a porta, em Nadsat: Meu malenky droog,Ó, sabemos que não vos encontrais bolnoy em tempo presente. Vamos like reunir o gruppa hoje em nochy. Trazei cutter (algo como “meu pequeno amigo, sei que não tá mais doente; vou juntar o pessoal essa noite; leve grana”), Uma mensagem pretensiosa dessa só viria de um cara que até mudou o sobrenome para Borges por amor ao que chamava de My Holy Bible. É verdade que, anteriormente, eu sofria achacado, e me afastado do convívio público tinha. Teria tempo livre em demasia, por isso recebera de presente, de Borges, uma cópia de sua Bíblia – A Clockwork Orange. <> Imaginei... Tendo sucesso na tradução, lembrara que nos encontrávamos sempre após o sol morrer, em esquina da Paulista com a Augusta, sob quaisquer circunstâncias... Já trancada a porta, pelo lado externo. Passo, passo, passo... lembro-me de Sascha, saindo da Rue des Halles, passando pela General Perrier, apenas para, no caminho de volta para casa, poder apreciar a Maison Carrée, legado da dominação romana... Saltitava alegre. Tinha em mãos um arranjo de flores – presente para sua mãe vindo da “moça da mercearia”, e um embrulhado de queijo kosher...
O caminho até A Esquina não tomara o tempo previsto e, rasgando folhas de uma fresca lista telefônica – novidade na cabina –, começerminei um pensamento momentâneo. Guardo a nota...
- “Ele era íntimo, meigo, lírico...“ – tocava-me suave e lentamente, com o verso da mão, o desgastado tecido de minha camiseta.
- “A revolução é pública, épica e catastrófica...”
- Ainda crê em revolução, ó, filósofo?
- Certamente que sim! Infindáveis... e digo: “Todo homem é filósofo”.
Sim sim, tomara-me um beijo. Mas era de seu feitio. Subterfúgio – antes que tu insinues que T.E.N. seja homossexual – não descartando a hipótese –, a abordagem fora feminina. Alheia Liudmila, minha Liúda – aliás, eu não o nome não por intimidade, mas por ter boas recordações dele. A tez “elisabetana umbrívaga”, os cabelos “muito pretos de personalidade efêmera”, os olhos “profundos e ‘cor-de-avelã-zoidais’”- descrição sua, em notas advindas de suas idéias autobiográficas – claro que as conhecia! Todos da gruppa as conheciam... vivia recitando-as, suas idéias e brincadeiras. Mentiria a ti novamente se dissesse que não éramos próximos, mas a aproximação só ocorreu pela maneira como eu a chamava. Liudmila não lhe era de bom grado, muito menos o Mila, denominação da gruppa – não tiveram coragem de emprestar meu Liúda, de período posterior por dois motivos: 1) estavam acomodados; 2) Liudmila tornou seus olhos em ouro a minha Liúda, emprestada de Maiakovski (responda-me que jovem agrada ao outro...). Então lhe roubei um abraço... Ex-enfermo, não o sentia havia certo tempo – e confesso a ti , Ó, leitor, que não foi por sentir algo por ela – Quase como um movimento involuntário em busca de calor. E ela estava quente (o trocadilho é deplorável, entretanto, em inglês, ela era muito quente, sim sim). Retribuído, me fizera sentir mais sociável... Então, observei sua blusa – um detalhe, a princípio, irrelevante... uma reprodução: O Violinista Verde, de Chagall, agora <>
Lembrara-me: de súbito, Sascha agora tocava o violino...
- Chega de citações... Liúda já o reconheceu...
- Como queira... bonito quadro escolheu como estampa...
- Sequer sei quem o pintou...
- Um Franco-russo judeu... Chagall... o verde melancólico na cara músico... – e não tive vontade de continuar...
Os cheiros de óleo de soja e carne processada se misturavam pelo caminho na volta à fachada do banco que ficava à esquina do cruzamento em que combinávamos, já que a demora me causara desconforto de apenas encarar a clariciana feição de Liúda, que me tomava primeiro pelos olhos e luxuriava aberta e minha, mente. Havia pedido-lhe a licença e caminhado vários passos até um aglomerado esperando por ônibus e a chance de voltar à casa quente, enquanto procurava uma breve distração mental; distração encontrada em capas de livros de bolso barato(s), de cujos autores ouvira falaram, mas cujas estórias completamente desconhecia...
Com a quinta batida do relogiozinho frugal que sobre a estante minha ficava, busquei abrigo para meu livro do momento, pois lembrara duma pequena nota, criada por letra certamente não sóbria, em guardanapo de bar que fora posta sob a porta, em Nadsat: Meu malenky droog,Ó, sabemos que não vos encontrais bolnoy em tempo presente. Vamos like reunir o gruppa hoje em nochy. Trazei cutter (algo como “meu pequeno amigo, sei que não tá mais doente; vou juntar o pessoal essa noite; leve grana”), Uma mensagem pretensiosa dessa só viria de um cara que até mudou o sobrenome para Borges por amor ao que chamava de My Holy Bible. É verdade que, anteriormente, eu sofria achacado, e me afastado do convívio público tinha. Teria tempo livre em demasia, por isso recebera de presente, de Borges, uma cópia de sua Bíblia – A Clockwork Orange. <
O caminho até A Esquina não tomara o tempo previsto e, rasgando folhas de uma fresca lista telefônica – novidade na cabina –, começerminei um pensamento momentâneo. Guardo a nota...
- “Ele era íntimo, meigo, lírico...“ – tocava-me suave e lentamente, com o verso da mão, o desgastado tecido de minha camiseta.
- “A revolução é pública, épica e catastrófica...”
- Ainda crê em revolução, ó, filósofo?
- Certamente que sim! Infindáveis... e digo: “Todo homem é filósofo”.
Sim sim, tomara-me um beijo. Mas era de seu feitio. Subterfúgio – antes que tu insinues que T.E.N. seja homossexual – não descartando a hipótese –, a abordagem fora feminina. Alheia Liudmila, minha Liúda – aliás, eu não o nome não por intimidade, mas por ter boas recordações dele. A tez “elisabetana umbrívaga”, os cabelos “muito pretos de personalidade efêmera”, os olhos “profundos e ‘cor-de-avelã-zoidais’”- descrição sua, em notas advindas de suas idéias autobiográficas – claro que as conhecia! Todos da gruppa as conheciam... vivia recitando-as, suas idéias e brincadeiras. Mentiria a ti novamente se dissesse que não éramos próximos, mas a aproximação só ocorreu pela maneira como eu a chamava. Liudmila não lhe era de bom grado, muito menos o Mila, denominação da gruppa – não tiveram coragem de emprestar meu Liúda, de período posterior por dois motivos: 1) estavam acomodados; 2) Liudmila tornou seus olhos em ouro a minha Liúda, emprestada de Maiakovski (responda-me que jovem agrada ao outro...). Então lhe roubei um abraço... Ex-enfermo, não o sentia havia certo tempo – e confesso a ti , Ó, leitor, que não foi por sentir algo por ela – Quase como um movimento involuntário em busca de calor. E ela estava quente (o trocadilho é deplorável, entretanto, em inglês, ela era muito quente, sim sim). Retribuído, me fizera sentir mais sociável... Então, observei sua blusa – um detalhe, a princípio, irrelevante... uma reprodução: O Violinista Verde, de Chagall, agora <
Lembrara-me: de súbito, Sascha agora tocava o violino...
- Chega de citações... Liúda já o reconheceu...
- Como queira... bonito quadro escolheu como estampa...
- Sequer sei quem o pintou...
- Um Franco-russo judeu... Chagall... o verde melancólico na cara músico... – e não tive vontade de continuar...
Os cheiros de óleo de soja e carne processada se misturavam pelo caminho na volta à fachada do banco que ficava à esquina do cruzamento em que combinávamos, já que a demora me causara desconforto de apenas encarar a clariciana feição de Liúda, que me tomava primeiro pelos olhos e luxuriava aberta e minha, mente. Havia pedido-lhe a licença e caminhado vários passos até um aglomerado esperando por ônibus e a chance de voltar à casa quente, enquanto procurava uma breve distração mental; distração encontrada em capas de livros de bolso barato(s), de cujos autores ouvira falaram, mas cujas estórias completamente desconhecia...
Não posso continuar agora...não há letra alguma...
P.iotr (pedro)

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